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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ásana - posição firme e agradável

Foto: Fer Vasconcelos | Modelo: Marina Engler

... Os ásanas dão uma firme estabilidade ao corpo e ao mesmo tempo reduzem o esforço físico ao mínimo. Evita-se assim a sensação irritante de fadiga, de enervamento de certas partes do corpo, regulam-se processos fisiológicos e permite-se, desse modo, que a atenção se ocupe exclusivamente da parte fluida da consciência. No começo as posturas são incômodas e mesmo insuportáveis. Mas, após certo treino, o esforço de manter o corpo na mesma posição torna-se mínimo. Isto é de importância capital; o esforço deve desaparecer, a posição meditativa deve-se tornar natural, só então ela propicia concentração. "A postura torna-se perfeita quando o esforço para realizá-la desaparece, de forma que não haja mais movimentos no corpo. Assim também, sua perfeição se cumpre quando a mente se transforma em infinito (anantasamápathibhiyám), isto é, quando ela faz da ideia do infinito seu próprio conteúdo."(Vyása, comentando o Yôga Sútra, II, 47.) Vácaspati Misra, comentando a interpretação de Vyása, escreve: "Aquele que praticar o ásana deverá valer-se de um esforço que consiste em suprimir os esforços corporais naturais. De outra forma, a postura ascética da qual falamos não poderá ser realizada". No que se refere à "mente transformada em infinito", isto significa a supressão total da atenção à presença do próprio corpo.

... A finalidade dessas posturas meditativas é sempre a mesma: "A cessação absoluta da perturbação dos contrários" (dvandvána-bhighátah; Yôga Sútra, II, 48). Alcança-se então certa "neutralidade" dos sentidos; a consciência não é mais perturbada pela "presença do corpo", conquistando-se a primeira etapa em direção ao isolamento da consciência e interceptando as pontes que permitem a comunicação com a atividade sensorial.

O ásana marca com nitidez a transcendência da condição humana. 

Yôga, imortalidade e liberdade, Mircea Eliade

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pátañjali e o Yôga Clássico





Estatueta, representação de Pátañjali


Faz parte da sistematização feita por Pátañjali, o Yôga Clássico, as prescrições e proscrições éticas, ou seja, os yamas e niyamas.

No verdadeiro Yôga Clássico, o discípulo só passa ao anga (parte) seguinte quando domina o precedente. Ou seja, a prática desta modalidade se inicia com os ensinamentos de ordem ética e moral - yamas e niyamas - e aí permanece até que seus praticantes tenham assimilado plenamente cada um desses rígidos princípios.

Yamas

1. Ahimsá - não violência
2. Satya - não mentir
3. Astêya - não roubar
4. Brahmáchárya - não dissipação da violência
5. Aparigraha - não cobiçar

Niyamas

6. Shaucha - limpeza
7. Santôsha - contentamento
8. Tapas - auto-superação
9. Swádhyáya - auto-estudo
10. Íshwara pranidhána - auto-entrega

Nós, do Método DeRose, somos de uma linhagem muito mais antiga, o Yôga Pré-Clássico. No entanto, valorizamos a sistematização de Pátañjali que foi um grande sábio de sua época e que graças a este trabalho fez com que essa filosofia milenar chegasse até nós.

Para saber mais sobre o Yôga Clássico, consulte o livro Yôga Sútra de Pátañjali, escrito por DeRose e editado pela Uni-Yôga.

Marina Engler