Na estrela, na testa, eu farejo em todo o universo
Que eu to vivo
Que eu to vivo
Que eu to vivo, vivo, vivo como uma rocha
E eu não pergunto
Porque já sei que a vida não é uma resposta
E se eu aconteço aqui se deve ao fato de eu
simplesmente ser
Se deve ao fato de eu simplesmente..."
E todo mundo continua querendo explicar...
E mais todo mundo ainda continua buscando nas explicações alheias.
Mas eu lhe digo, fazendo minhas as palavras desse grande filósofo que foi Raul:
Precisamos mudar nossa forma de pensar para resgatar a fragilidade natural humana e a noção que somos interdependentes.
Vamos traçar um paralelo com o
treinamento de ásanas (técnicas corporais) no Yôga.
Ao manter a permanência numa
posição, é exigido do praticante força física, emocional e mental. Ao se
deparar com tal instabilidade na posição, fica claro a nossa própria
fragilidade primeiramente física, quando o corpo começa a tremer. Tal situação
nos remete a uma instabilidade emocional e mental que precisa ser administrada.
Como? Ampliando as percepções, aceitando as dificuldades, encarando o movimento
como um processo de desenvolvimento e moldando a atitude para algo pró-ativo.
Por isso, chamamos tais posições de psico-físicas. Elas atuam em nosso ser de
forma integral. E para enfrentarmos tudo isso é necessário vontade de
transformação. Uma vontade conduzida com lucidez rumo ao que se deseja
conquistar.
Isso pode ser interpretado como
um resgate da nossa fragilidade e da interdependência que existe entre nós.
Nas palavras de Zygmunt Bauman, em uma entrevista cedida para a Isto é, "líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão. Na verdade, são incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. No atual estágio “líquido” da modernidade, os líquidos são deliberadamente impedidos de se solidificarem. A temperatura elevada — ou seja, o impulso de transgredir, de substituir, de acelerar a circulação de mercadorias rentáveis — não dá ao fluxo uma oportunidade de abrandar, nem o tempo necessário para condensar e solidificar-se em formas estáveis, com uma maior expectativa de vida".
Estamos todos no mesmo barco e
dependemos uns dos outros num momento da sociedade em que percebemos que
estamos nos “limites da suportabilidade do planeta”.
Democracia global?
As discussões sociais cederam
espaço para a exposição de privacidades e intimidades. Estamos passando por um
momento de inversão de valores.
Será que ainda lembramos o que significa o respeito ao próximo? A amizade? O
casamento?
“Estamos todos numa solidão e
multidão ao mesmo tempo.”
Qual será a fórmula perfeita para
equilibrar segurança e liberdade?
Talvez seja necessário ao homem,
caminhar entre os opostos para um dia encontrar o caminho do meio.
E obviamente não há uma fórmula
global perfeita.
Cada indivíduo precisa encontrar
a sua própria fórmula. E isso só é possível através do autoconhecimento.
Percepções mais aguçadas sobre si
mesmo e sobre o mundo a sua volta, lucidez nas escolhas é poder atuar na vida;
moldar o futuro, viver de maneira mais agradável, estável e com mais arte.
Assista ao vídeo de Zygmunt Bauman, Fronteiras do Pensamento, onde ele trata de assuntos tais como sociedade pós-moderna, relacionamentos, internet e a tal da felicidade.